26
Ago 09


 

Reformar o Estado sem hostilizar os que nele trabalham é possível, compreendendo a sua evolução, a história e o trabalho que se lhes exige. Para reforçar esse ponto, Suzana Toscano abriu o jantar apresentanto um perspectiva histórica da Administração Pública nos últimos 30 anos. "Não vale a pena vir aqui com frases feitas ou preconceitos, não conseguimos reformar sem conhecer". "Como em qualquer ramo do saber", diz a nossa convidada, "quanto mais sabemos mais nos apercebemos o que nos falta saber".

A discussão teria de começar inevitavelmente sobre as funções que hoje se esperam do Estado, alertando a nossa oradora que "discussão em torno do tamanho e funções do Estado não é uma questão técnica, é uma questão ideológica". Há "critérios de avaliação do interesse público: solidariedade nacional, continuidade e coesão nacional, estabilidade e neutralidade" e é da "essência da função pública a lealdade, a isenção e transparência".

Em relação a privatizações ou delegação de competências, Suzana Toscano é muito clara afirmando-se firmemente contra o preconceito "está mal, privatize-se": "devemos privatizar, não por desistência, mas por acreditarmos que os privados podem providenciar melhor serviço".

Suzana Toscano tinha aberto o jantar-conferência citando Péricles ("os cidadãos que não se interessam pela causa pública não merecem ser atenienses"), e despede-se de nós com uma ideia forte: "é na nossa cabeça que as coisas têm de funcionar, e não na lei. Há limites muito mais imperiosos que os da lei".


 

As expectativas eram elevadas: Paulo Rangel afirmou-se, no último ano, como um agente político incontornável. De quinze em quinze dias afirmava-se na AR nos debates com o Primeiro-Ministro; em Maio/Junho foi o rosto mais visível da vitória do PSD nas eleições europeias. O tema estava dentro do tema do seu livro: Estado do Estado.

Todos estavam dentro da sala antes da hora, o que permitiu aproveitar ao máximo a presença do eurodeputado. Primeiro uma contextualização: a mudança no mundo. A queda do muro de Berlim e o 11 de Setembro são dois marcos dos últimos vinte anos."Há uma consciência que emerge do 11-Setembro: ainda não sabíamos quem o tinha feito nem para quê e já sabíamos que ia mudar as nossas vidas". A incerteza em relação ao futuro volta a marcar presença nas nossas aulas.

De seguida, entramos na natureza do Estado. "O Estado é a coisa mais próxima de Deus que existe: é omnipresente e é invisível, nunca ninguém o viu mas toda a gente acredita nele". Falar do Estado implica falar de Maquiavel. Paulo Rangel introduz dizendo que "a grande lição do Príncipe é a de que a política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política. Anda aí muita confusão entre o que é o plano político, o plano jurídico  e o plano ético".

Falou-se também da emergência de entidades não-estatais mas com poder: associações de cariz internacional, ONG's, confissões religiosas, lóbis empresariais. "Muitas multinacionais têm melhores políticos do que qualquer Estado", salientou Jean Barroca (UV2009) na intervenção de Paulo Rangel, via Facebook. "O Estado deixou de ter o domínio que exercia sobre o seu território (...) as circunscrições territoriais começam a ficar desajustadas. Os Estados ficam reduzidos a Juntas de freguesia e as legislativas a eleições para a Assembleia de Freguesia". "Nós vivemos naquilo a que eu chamo poliarquia: monarquia é o poder de um só; a poliarquia é o poder de muitos (...) o Estado acaba por ser uma monarquia".

Termina a sua apresentação do tema com uma sugestão de leitura: "O Cândido", de Voltaire, de onde retirou a sua palavra final. "Tudo isso está muito bem dito, mas o que é preciso é cultivar o meu jardim".

Seguiu-se a fase de P&R, que cobriu áreas como défice democrático da UE, o poder dos Estados, Estado Federal Europeu, papel do Presidente da República, ética, regulamentação da actividade lobística, o paralelo entre os crentes que esperam a intervenção divina e o cidadão em apuros com o Estado. Paulo Rangel não evitou nenhum tema, assumindo com frontalidade as suas posições: "o federalismo é bom porque nos põe no circuito de decisão". Actualmente tomamos "as mesmas decisões, mas não somos ouvidos no processo"; "é mais importante ter bons costumes que boas leis"; "por trás da lógica TGV está o modelo grego: uma grande metrópole (Atenas) e o resto do território desertificado".

Paulo Rangel despede-se citando John Locke: "Os reinados dos bons princípes foram sempre mui perigosos para a liberdade dos seus povos".

publicado por uv2009 às 18:46

 

 

A aula desta manhã decorreu em ambiente familiar: uma apresentação a duas mãos, com Carlos Coelho e Rodrigo Moita de Deus a demonstrar um entrosamento que só está ao alcance de bons comunicadores. Este módulo é um dos ex-libris da UV desde as primeira edições com imensa informação útil, até mesmo para os participantes mais experientes nesta academia.

Comunicar Bem; Escrever Claro; Contactos com a comunicação social; Novos meios; Quinze conselhos para falar claro.... é esta a organização da aula. Pelo meio somos guiados pela importância da mensagem, dos três elementos da comunicação (emissor -> mensagem ->receptor), introdução às técnicas KISS, BUZZ e SOUNDBITE, ao vocabulário cool e às "palavras proibidas" em comunicação, escrever comunicados e como estar numa conferência de imprensa.

Das matérias que suscitou mais interesse foi a interacção com os novos meios, e o peso real que eles têm na comunicação de hoje, competindo taco a taco com os grandes meios tradicionais. 

De realçar como a UV interactiva continua a marcar pontos, conseguindo participações de sítios tão remotos como o Dubai, onde nos seguem atentamente. Via mail, um aluno da UV2004, Humberto Monteiro, lançou aqueles que considera os grandes erros numa intervenção: interromper os outros; pedir desculpa antes de começar a falar; terminar a intervenção com frases dos outros.

Entrando a toda a velocidade na fase de perguntas, surgem novos temas, onde entre outras se destaca o poder dos media, o factor "carisma", a artificialidade do agente político vs. humanização, a redacção de discursos, a conciliação, em campanha, da mensagem (e formas de estar) irreverente da "jota" com o maior "conservadorismo" do partido, a transmissão das realidades mais duras e resultado eleitoral, como conquistar uma audiência hostil, como controlar a mensagem neste mundo de informação "instantânea", em que a notícia corre à velocidade do evento, formação na escola em matéria de capacidade de expressão oral.

Um marco em todas as UV's!



 

Fica atento! 

publicado por uv2009 às 10:15

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